Bicicletas nos transportes públicos #2

Já por aqui se disse que, como acontece em outras cidades no mundo, a ligação da bicicleta com os transportes públicos seria uma mais valia para Coimbra. Falámos dos suportes nos autocarros aqui e de uma solução para o (adormecido) metro aqui.

Na página do facebook do Coimbr’a Pedal alertaram-nos que a questão até pode ser bem mais simples… deixar as bicicletas entrar dentro dos autocarros e dos comboios!!

A boa notícia é que (dentro de algumas limitações) já se podem transportar bicicletas gratuitamente nos regionais e interregionais (podem ler mais aqui) e que cada vez se vêm mais utilizadores a fazê-lo.

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As bicicletas podem ser transportadas nas viaturas dos SMTUC desde que sejam desmontáveis de forma a tornar a bicicleta equiparada a bagagem (informação dada pelo serviço de Relações Públicas dos SMTUC).

Ou seja, o transporte de bicicletas infelizmente não é permitido nos SMTUC…

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Não precisos equipamentos especiais mas é preciso deixar entrar as bicicletas como aliás já se faz noutras cidades há bastante tempo e que, por experiência daqueles que nos alertaram para isto, funciona tão bem.

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Bicicletas nos transportes públicos

Como já falámos por aqui pensar em mobilidade ciclável numa cidade implica necessariamente pensar na articulação das bicicletas com o sistema de transportes públicos. E quando se fala em cidades como Coimbra este cuidado tem ainda mais importância.

Hoje falamos de outra solução possível para cá (quando existir metro), uma solução que existe em Estugarda (Alemanha) uma cidade que também tem declives acentuados e onde se usa bicicleta como meio de transporte. Para vencer estes declives o serviço de metro de superfície tem uma espécie de plataforma anexa ao veículo onde se podem levar as bicicletas.

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Esta plataforma funciona para a linha que liga Stuttgart South (Marienplatz) e Degerloch (Albplatz), uma ligação com 2,2 km  com uma diferença de altitudes de 205 m. O ponto de inclinação máxima da via é 17,5% (!!!!!!!!) entre Liststrasse e Pfaffenweg (fonte).

Infelizmente, não conheço Estugarda mas se alguém por aí conhecer e quiser relatar o que se passa por lá a informação será sempre muito útil.

Como circular na via de trânsito

O ponto 2 do Artigo 90º do Código da Estrada diz que ” Os condutores de velocípedes devem transitar o mais próximo possível das bermas ou passeios, mesmo nos casos em que, no mesmo sentido de trânsito, sejam possíveis duas ou mais filas”.

No entanto conduzir demasiado à direita pode ter graves consequências, porque os condutores tendem a fazer ultrapassagens sem guardar a distância de segurança (pontos 1 e 2 do Artigo 18º) do ciclista resultando muitas vezes em acidentes com consequências graves para o ciclista.

Por outro lado, as bermas acumulam areias e lixo que podem também ser impeditivos de uma viagem segura ou confortável.

Assim, defendidos pelo Ponto 1 do Artigo 13º que diz que “o trânsito de veículos deve fazer-se pelo lado direito da faixa de rodagem e o mais próximo possível das bermas ou passeios, conservando destes uma distância que permita evitar acidentes”, a posição do ciclista na via deve ser tal que obrigue os condutores a utilizar a via mais à esquerda para o ultrapassar evitando as ultrapassagens “à tangente”.

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Uma das propostas aceites para a alteração ao código da estrada, no que à mobilidade de ciclistas diz respeito, é obrigar os condutores a guardar uma distância lateral mínima de segurança de 1,5 m ao ciclista, como aliás já acontece noutros países.

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Apesar destas alterações ainda não serem oficiais já existe a circular uma campanha para a sensibilização da importância da distância de segurança que podem ver no vídeo seguinte.

Ainda de referir o Ponto 1.e) do Art. 90º que diz os os ciclistas (ou velocípedes) não podem “seguir a par, salvo se transitarem em pista especial e não causarem perigo ou embaraço para o trânsito”.  As coimas para quem não cumprir estas regras podem ir dos 30 aos 150€.

Os sistemas de partilha de bicicletas

Muito se tem falado sobre sistemas de partilhas de bicicletas por cá, depois das Bugas de Aveiro, as Bicas de Cascais ou as Rainhas nas Caldas da Rainha, Faro prepara-se para implementar um destes sistemas.

Mas na verdade estes sistemas já bem conhecidos em várias cidades do Mundo, o primeiro sistema surgiu em Amesterdão em 1965.

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De uma forma simples, um sistema de partilha de bicicletas é um conjunto de bicicletas públicas, normalmente com cores e formas diferentes do habitual, disponíveis a qualquer cidadão (sujeito a um registo) em diferentes pontos da cidade, que permite ao utilizador “alugar” uma bicicleta numa estação e usá-la na sua viagem até outra estação.

A utilização deste tipo de sistemas está especialmente favorecido em cidades como Coimbra, em que as viagens se fazem muito bem de bicicleta num sentido mas no sentido contrário existirem impedimentos, mas só se existir um bom serviço de transportes públicos que complemente as viagens. (concordam?)

Os sistemas que existem por cá estão mais direccionados para viagens turísticas ou de lazer, mas o sistema pode muito bem ser usado para viagens diárias imaginem chegarem aos H.U.C., à Universidade, à baixa, etc. com zero preocupações para estacionar e ficar mesmo à porta… Zero preocupações por deixarem a vossa bicicleta estacionada na rua, ou em por o óleo na corrente que falta, etc etc… Era bom, não era?