Leituras a Pedal – A gloriosa bicicleta de Laura Alves e Pedro Carvalho

A gloriosa bicicletaSe andar de bicicleta é sobretudo uma actividade física, alguns livros podem nos ajudar a incentivar ou facilitar essa prática. A gloriosa bicicleta de Laura Alves e Pedro Carvalho, é um desses. Uma vez o livro fechado, os já-ciclistas ficarão com ainda mais vontade de montar a sua bicicleta e os ainda-não-ciclistas encontrarão aí argumentos irrefutáveis para dar o passo. Assente no tempo e na convivialidade, a bicicleta representa um novo modo de estar na cidade. Assim, segundo os autores, « cada ciclista torna-se num activista da bicicleta. Um militante de uma cidade mais humanizada e menos poluída. Alguém que contribui para um mundo melhor só por se deslocar de casa para a escola ou para o trabalho de bicicleta ».

As três partes desse livro laranja regressam à história da bicicleta, à ligação que existe entre o ciclista e a sua « gloriosa » máquina e à questão essencial da mobilidade urbana. Com uma ironia e um humor mordaz, os autores conduzem-nos para uma viagem desde as primeiras invenções com duas rodas no século XIX até ao activismo ciclista dos nossos dias. Obra colectiva com vários inventores, como o Barão Karl von Drais ou o Conde de Civrac, a bicicleta sai dos meios aristocráticos e conhece, assim, uma democratização ao longo do século XX. Meio de transporte, a bicicleta torna-se, também, um desporto com a organização de provas desportivas, como a Volta a Portugal que surge em 1927. Na nossa região, o ciclista José Bento Pessoa de Figueira da Foz, torna-se o primeiro português da história recordista mundial, a estabelecer o melhor tempo em 500 metros.

Depois desse resumo histórico, a segunda parte do livro foca-se no funcionamento de uma bicicleta e no quotidiano do seu uso. As dicas dos autores são preciosas para escolher a sua bicicleta e fazer as afinações de base. A última parte vem completar esses conselhos sobre como sobreviver em duas rodas na cidade. Informações sobre o novo Código da estrada, o uso das luzes ou, ainda, como evitar ver desaparecer o seu « veículo », revelam-se muito úteis tanto para o ciclista neófita como para o mais experiente. Como meio de circulação, aliando simplicidade e liberdade, andar de bicicleta torna-se assim uma experiência que permite uma nova visão da cidade.

O livro de Laura Alves e Pedro Carvalho é uma inteligente mistura de declaração de amor à bicicleta, de dicas para os seus usadores e de reflexões sobre o futuro das nossas cidades. O humor dos autores, as referências literárias (como o esplêndido poema de Manuel Alegre, A bicicleta de recados) e a linha gráfica do livro vêm servir esta iniciativa. Como lembram os autores, « pedalar na cidade, seja qual for o objectivo ou a extensão da nossa viagem, é um acto de coragem, de amor por nós próprios e pela nossa bicicleta. Mas, acima de tudo, de rebeldia contra o sistema ». Um livro a recomendar para aqueles que já sabem muito de bicicleta e aqueles que ainda hesitam em andar na cidade.

Laura Alves e Pedro Carvalho, A gloriosa bicicleta. Compêndio de costumes, emoções e desvarios em duas rodas, Texto Editores, 2013.

Cicloficinas regulares em Coimbra

 

Foto: Bia Farão

Foto: Bia Farão

Uma das coisas que os envolvidos no Coimbr’a’Pedal gostariam de ver acontecer por aqui era o fortalecimento da cultura da bicicleta na cidade. Ao pensarmos em como podemos colaborar para isso, chegamos a conclusão que um bom começo seria promover ações regulares, que possam servir de ponto de encontro para os ciclistas urbanos.

Já há a Massa Crítica, que acontece mensalmente na última sexta-feira do mês e que vem aos poucos juntando mais pessoas. Inspirados na cicloficina que fizemos na primavera e nas mensagens que recebemos pela página do Facebook, achamos que era hora de Coimbra entrar no circuito de cicloficinas regulares! Então, a 1a quarta-feira do mês passa a ser a data garantida para afinar bicicletas, aprender sobre manutenção, compartilhar conhecimentos e conviver com outras pessoas que também gostam de pedalar pela cidade.

Na semana passada o evento aconteceu no Largo São João, no bairro de Celas. Passaram por lá seis pessoas e três bicicletas foram afinadas com ajustes nas marchas e travões, óleamento, e outros afins. Além da assistência, também houve muita conversa e algumas ideias para a volta das férias. Nessas horas é que eu vejo como confirma-se a teoria de que, para se apaixonar pela bicicleta, é só começar a pedalar! Era uma animação a discutirmos roteiros, passeios, estacionamentos entorta-rodas, aquele vento delicioso na cara ao descer uma ladeira… eu não falo pelos outros que ali estavam, mas admito com orgulho: sou mesmo uma ciclonerd! 😀

Quem perdeu essa, não se preocupe, a próxima cicloficina acontece no dia 03 de setembro, das 18h as 20h na Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto. Até lá!

Saiba mais sobre cicloficinas… (retirado do site da Cicloficina)

O que é? É uma iniciativa informal, e aberta a todos os que nela queiram colaborar. É um serviço de assistência mecânica prestado à população ciclista, e funciona apoiada no tempo, dedicação e mais valias dos voluntários que a fazem acontecer.

 Qual o objectivo?

  •  Promoção do uso quotidiano da bicicleta, dando-lhe visibilidade.
  • Animação da rua e da vida colectiva do local onde decorre a Cicloficina.
  • Aumento das interacções e fortalecimento das relações da comunidade.
  • Fortalecimento da autonomia dos utilizadores de bicicleta.

Quem faz? Voluntários. Ciclistas, pessoas com apetência e à vontade com bicicletas, ferramentas, mecânica, disponibilizam-se a ajudar outras com menos experiência, recursos ou vocação para essas lides.

Foto: Bia Farão

Foto: Bia Farão